Pesquisa da Ufes identifica hipertensão em 53,2% dos policiais avaliados
A hipertensão arterial foi identificada em 53,2% dos policiais militares avaliados em uma pesquisa da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). O estudo, divulgado em julho de 2026, analisou 47 integrantes da Companhia de Choque do Batalhão de Missões Especiais (BME) da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) e identificou casos da doença entre profissionais que não tinham diagnóstico prévio.
Os resultados chamam a atenção para a importância do acompanhamento da saúde cardiovascular dos militares, inclusive daqueles que mantêm uma rotina intensa de atividade física. Segundo a pesquisa, os policiais com pressão alta apresentaram diferenças em indicadores de sono, composição corporal e hábitos de vida em comparação aos participantes sem hipertensão.
Sono e saúde cardiovascular
Um dos principais achados foi a diferença na duração do sono entre os grupos. Os policiais identificados com hipertensão dormiam, em média, 6,2 horas por noite. Entre os participantes sem a doença, a média era de 7,7 horas.
De acordo com os pesquisadores, a duração e a qualidade do sono estiveram entre as variáveis com associações mais expressivas com os níveis de pressão arterial. O resultado reforça a importância de considerar o descanso como parte dos cuidados com a saúde, especialmente em uma profissão marcada por escalas de serviço e exigências operacionais.
O estudo foi conduzido pelo mestrando e cabo do BME Renalt Gonçalves, com a colaboração do doutorando e cabo da PMES Geanderson Oliveira e de integrantes do Grupo de Estudos em Fisiologia Translacional Aplicada à Saúde, ao Esporte e ao Desempenho Humano. O trabalho foi orientado pelo professor Danilo Bocalini, no Programa de Pós-Graduação em Educação Física da Ufes.
Gordura abdominal e hábitos de vida
A pesquisa também identificou maiores percentuais de gordura corporal, massa gorda e indicadores de adiposidade abdominal entre os militares hipertensos. O acúmulo de gordura na região abdominal é um indicador relevante na avaliação do risco cardiovascular.
Outro dado observado foi a diferença no consumo de bebidas alcoólicas: o hábito foi relatado por 68% dos participantes do grupo com hipertensão, ante 22% daqueles sem a doença. O tabagismo também foi observado exclusivamente entre os policiais hipertensos avaliados.
Segundo os pesquisadores, a prática de atividade física não apresentou diferença entre os dois grupos. Isso indica que manter-se fisicamente ativo, embora importante para a saúde, não elimina a necessidade de observar outros fatores associados ao risco cardiovascular.
Diagnóstico e prevenção
O levantamento identificou que os policiais classificados como hipertensos não tinham diagnóstico prévio nem utilizavam medicamentos para controlar a doença. O achado evidencia a importância de aferir a pressão arterial regularmente e buscar avaliação profissional diante de alterações.
A hipertensão pode não apresentar sintomas perceptíveis, o que torna o acompanhamento preventivo especialmente importante. A medição periódica da pressão, a atenção à qualidade do sono, a alimentação equilibrada, a prática regular de exercícios e o cuidado com o consumo de álcool e o tabagismo são medidas que contribuem para a proteção da saúde cardiovascular.
O professor Danilo Bocalini também destacou que os resultados encontrados diferem dos observados em pesquisas com outras corporações militares brasileiras, como a Força Aérea Brasileira e o Batalhão de Operações Policiais Especiais do Rio de Janeiro. A diferença reforça a necessidade de ampliar o monitoramento da saúde dos profissionais de segurança pública.
Embora tenha sido realizado com uma amostra de 47 policiais de uma unidade específica, o estudo da Ufes contribui para o debate sobre prevenção e acompanhamento da saúde dos militares. Os resultados não representam, necessariamente, a prevalência de hipertensão em toda a Polícia Militar ou nas demais forças de segurança.
Para a Caixa Beneficente dos Militares Estaduais do Espírito Santo (CBMEES), a divulgação de informações de saúde é uma oportunidade de incentivar os associados a manterem os cuidados preventivos e a atenção ao próprio bem-estar. Identificar fatores de risco e procurar acompanhamento profissional são atitudes importantes para preservar a qualidade de vida e a saúde ao longo da carreira e após a aposentadoria.
Fonte: Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
Leia o estudo completo: https://www.ufes.br/conteudo/pesquisa-investiga-saude-cardiovascular-de-policiais-e-identifica-fatores-associados
